No Brasil, cerca de 78,6 mil novos casos são estimados por ano no triênio de 2026 a 2028
A detecção precoce continua sendo uma das principais estratégias para melhorar os resultados do tratamento do câncer de mama. Um estudo publicado recentemente no Journal of the American College of Radiology reforça essa importância ao identificar associação entre a detecção da doença por rastreamento, características tumorais mais favoráveis e maior sobrevida das pacientes.
A pesquisa analisou dados de 1.023 mulheres com diagnóstico de câncer de mama entre 2019 e 2021, com acompanhamento até julho de 2026. Entre as pacientes cujo câncer foi identificado por rastreamento, a sobrevida em cinco anos foi de 92,9%, enquanto entre aquelas cujo diagnóstico ocorreu por outras formas, como a investigação de sintomas, o índice foi de 73,6%.
Os tumores detectados por rastreamento também apresentaram características mais favoráveis, como menor comprometimento dos linfonodos e menor ocorrência de metástases. Por ser um estudo observacional, os resultados demonstram uma associação entre a forma de detecção e os desfechos clínicos, sem estabelecer que o rastreamento, isoladamente, seja responsável por toda a diferença observada.
Para Flávia Miranda Corrêa, consultora médica da Fundação do Câncer, a informação qualificada e o acesso aos serviços de saúde são fundamentais para o enfrentamento da doença. “A detecção precoce pode ampliar as possibilidades de tratamento e contribuir para melhores resultados. Para isso, é fundamental que as mulheres tenham acesso à informação confiável, aos exames indicados e à investigação rápida de alterações suspeitas. A identificação da doença precisa estar acompanhada de uma rede de saúde preparada para garantir a continuidade do cuidado.”
Câncer de mama é o tumor mais incidente entre as mulheres brasileiras
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil tem estimativa de 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no triênio de 2026 a 2028, excluídos os tumores de pele não melanoma, a doença é a mais incidente entre as mulheres brasileiras.
O Ministério da Saúde recomenda a mamografia de rastreamento a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos. O exame é realizado em pessoas sem sinais ou sintomas suspeitos e pode identificar alterações antes que sejam percebidas. Mulheres fora dessa faixa etária devem receber orientação individualizada sobre riscos e benefícios, conforme as recomendações vigentes.
É importante também conhecer o próprio corpo e procurar um serviço de saúde diante de alterações como nódulos persistentes, mudanças na pele das mamas, retrações ou alterações nos mamilos. A investigação de sintomas suspeitos deve ocorrer independentemente da idade.
Segundo Luiz Augusto Maltoni, diretor executivo da Fundação do Câncer, o enfrentamento da doença exige ações permanentes de prevenção, diagnóstico e assistência. “A adoção de hábitos saudáveis, como a prática regular de atividade física, a alimentação equilibrada e a redução do consumo de bebidas alcoólicas, pode contribuir para diminuir o risco de câncer de mama. A idade e o histórico familiar também são fatores relevantes, e mulheres com risco elevado devem conversar com profissionais de saúde sobre o acompanhamento adequado.
A detecção precoce, por sua vez, depende tanto da identificação de alterações suspeitas quanto da organização dos serviços para realizar exames, confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento sem atrasos evitáveis.

