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Fatores Ocupacionais

O câncer ocupacional surge da exposição por muitos anos a agentes carcinogênicos presentes no ambiente de trabalho, mesmo após interrompida a exposição, e representa de 2% a 4% dos casos de câncer. A localização do câncer ocupacional está associada ao local do corpo humano em que a substância entra em contato durante o processo do trabalho.

São diversos os agentes cancerígenos em ambientes de trabalho e, entre eles, os que guardam maior relevância para os casos de câncer ocupacional no Brasil são: tabagismo passivo, agrotóxicos (pesticidas, defensivos agrícolas etc.), amianto, sílica, radiação ionizante, radiação solar e benzeno.

– Tabagismo passivo: exposição à fumaça de produtos de tabaco (cigarro, charuto e cachimbo) em ambiente de trabalho. No Brasil, antes da atual lei federal, os garçons eram os principais afetados por essa condição.

– Agrotóxicos estão presentes na agricultura, na saúde pública (controle de insetos e pragas), no tratamento de madeira, no armazenamento de grãos e sementes, na produção de flores e na pecuária.

– Amianto ou asbesto: fibra de origem mineral presente nas telhas e caixas d’água. A exposição ocupacional é dada pela sua inalação durante a fabricação, causando lesões nos pulmões e em outros órgãos. Os trabalhadores envolvidos no seu manuseio durante a fabricação podem desenvolver o câncer de pulmão mesmo após 30 anos da interrupção da exposição.

– Radiação ionizante: está presente no diagnóstico de doenças através de radiografia (raio X), tomografia e mamografia, e no tratamento através de radioterapia e braquiterapia. O risco de câncer decorrente dessa exposição depende da dose, da duração da exposição, do sexo, da idade em que se deu a exposição e de outros fatores como, por exemplo, a sensibilidade dos tecidos frente aos efeitos carcinogênicos da radiação. Indivíduos que trabalham na indústria nuclear ou próximo a equipamentos que emitem radiação (por exemplo: em instituições médicas ou em laboratórios) estão expostos a este fator de risco.

– Radiação solar: os trabalhadores que desenvolvem atividades ao ar livre: agricultores, pescadores, guardas ficam expostos à radiação ultravioleta emitida pelo sol e podem desenvolver câncer de pele.

Os efeitos desses agentes cancerígenos no corpo humano podem ser potencializados se forem somados à exposição a outros fatores de risco para câncer.

Informe-se e proteja-se contra agentes cancerígenos no ambiente de trabalho

Os processos de trabalho devem ser pensados para que não haja a exposição dos trabalhadores aos riscos à saúde. Mesmo assim, muitas vezes é necessária a utilização de equipamentos de proteção individual (EPI), para evitar o contato do agente cancerígeno com o organismo do trabalhador. Os EPIs podem ser máscara, luva, avental de chumbo, óculos, entre outros, e dependem da forma como essa substância penetra no corpo humano.

Assim, algumas das medidas para prevenção devem abranger, entre outras específicas contra cada agente:

  • Remoção da substância ou agente cancerígenos dos locais de trabalho: alguns sistemas de circulação de ar evitam a contaminação entre os ambientes.
  • Uso restrito desses agentes para determinadas atividades com a adoção de níveis mínimos de exposição, associada ao monitoramento ambiental cuidadoso e redução da jornada de trabalho.
  • Instalação de filtros industriais para impedir a liberação de substâncias cancerígenas resultantes de processos industriais para a água, ar e solo.

Trabalhadores rurais devem estar atentos quanto à exposição ocupacional aos raios solares também, por isso devem incorporar EPI contra esse fator de risco, além daqueles indispensáveis contra os agrotóxicos, que contêm agentes cancerígenos. Por isso, o uso de camisa de manga comprida, chapéu de aba grande e filtro solar é indispensável para esses profissionais.

Fontes: consultores da Fundação do Câncer, Instituto Nacional de Câncer (Inca) e Organização Mundial da Saúde (OMS).