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Rejane Reis: HPV: jovens são mais vulneráveis

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Vale ressaltar que ser fumante, ter muitos filhos e usar contraceptivos orais por longo período também contribuem para o desenvolvimento da doença

Por Rejane Reis Bióloga epidemiologista da Fundação do Câncer

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Rio – Um recente estudo com adolescentes e adultas jovens (15 a 29 anos) no Brasil apontou que, a cada 100 mil mulheres, quatro são diagnosticadas com câncer de colo de útero. O principal fator de risco para a doença é a infecção pelo vírus HPV (papilomavirus humano), que provoca uma lesão no colo do útero e, se não diagnosticada e tratada adequadamente, pode levar ao desenvolvimento do câncer. Por ser transmitido sexualmente, quanto mais cedo o início da atividade sexual da mulher, maior a exposição e o risco.

O tumor é o terceiro mais frequente na população feminina, atrás apenas do câncer de mama e do colorretal, sem contar os casos de câncer de pele não melanoma. Devido aos altos índices, a doença é atualmente uma das prioridades da agenda de Saúde do país e tem, inclusive, uma data no mês da mulher(26 de março) para reforçar a importância da prevenção.

De acordo com orientação do Ministério da Saúde, o exame Papanicolaou em mulheres que não apresentam sintomas deve ser realizado entre 25 e 64 anos, a cada três anos, após dois exames anuais consecutivos normais. É importante ressaltar que, se a mulher já tiver atividade sexual antes dessa faixa, a realização dos exames deve coincidir com a iniciação.

A vacinação contra o vírus HPV é uma das formas mais eficazes de prevenção. Está disponível, desde 2014, a vacina tetravalente para meninas de 9 a 14 anos na rede pública. A partir de 2017, também foram incluídos os meninos com idade entre 11 e 14 anos.

Além da adesão às campanhas de vacinação, é imprescindível a orientação sexual, principalmente dos adolescentes. Como a transmissão do HPV ocorre no contato pele a pele, apesar de sempre recomendado, o uso de preservativo durante a atividade sexual, com ou sem penetração, não protege totalmente da infecção pelo vírus. Uma boa opção é a utilização da camisinha feminina, que cobre uma região maior evitando, mais eficazmente, o contágio, desde que seja utilizada no início da relação.

Vale ressaltar que ser fumante, ter muitos filhos e usar contraceptivos orais por longo período também contribuem para o desenvolvimento da doença. Por isso, adotar hábitos saudáveis, evitando a exposição aos fatores de risco, é a principal maneira de se prevenir contra todos os tipos de câncer.

Rejane Reis é bióloga epidemiologista da Fundação do Câncer

Fonte: O Dia Online – 10/04/2018