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Pesquisa estuda relação entre alimentos e câncer nas redes sociais

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Artigo publicado no periódico inglês Future Science AO na semana passada examina se as postagens em uma mídia social são modismo ou se há evidência científica quando o assunto é o câncer associado a alimentos funcionais.

Uma das autoras do artigo, Claudia Jurberg, bolsista de Produtividade em Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), explica que foram analisados alimentos funcionais relacionados ao câncer no Pinterest (rede social de compartilhamento de fotos) e se havia evidência científica ou não no portal de periódicos do PubMed, que é um motor de busca de livre acesso à base de dados MEDLINE de citações e resumos de artigos de investigação em biomedicina. O Pinterest  foi a mídia de escolha porque está em franca ascensão no mundo e no Brasil.

“Foram analisados 507 Pins, sendo 75 de alimentos associados ao câncer, compartilhados mais de 27 mil vezes, e encontramos mais de 80 mil artigos científicos sobre esses alimentos e câncer no PubMed. Em 90% dos alimentos mencionados como funcionais para o câncer, encontramos literatura científica. Os Pins são ideias que as pessoas encontram e salvam de toda a Web”, esclarece a pesquisadora. 

Claudia informa que existem cerca de 50 bilhões de pins sobre comida no pinterest, e que o objetivo principal era investigar a relação entre postagens sobre comida e câncer no Pinterest e as evidências científicas. “Surpreendemente, 90% dos alimentos citados nessa mídia social também aparecem na literatura científica”.

No entanto, apesar desse paralelo entre conteúdo publicado em mídia social e evidência científica, a pesquisadora diz que não foi possível identificar a exata relação dos alimentos com o câncer: se previne, cura ou trata.

A pesquisa conclui que há um paralelo entre o conteúdo sobre alimentos e bebidas relacionados ao câncer divulgado no Pinterest e a literatura científica sobre esses mesmos ingredientes no PubMed, uma vez que sobre 90% deles foram encontrados artigos científicos. “Com isso, pode-se afirmar que os alimentos correlacionados ao câncer geram interesse, embora tenhámos percebido que os usuários dessa mídia são tímidos para expressar sua opinião com comentários sobre o assunto”.

Além de Claudia Jurberg, da Fiocruz e Universidade Federal do Rio de Janeiro, participaram do estudo Eloy Macchiute de Oliveira, do Datasus, e Graça Justo, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. A pesquisa foi financiada pelo CNPq, Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj) e Fundação do Câncer.

O artigo pode ser acessado no link  https://www.future-science.com/doi/10.4155/fsoa-2018-0023