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Outubro Rosa

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Neste mês comemoramos o Outubro Rosa, um movimento de adesão mundial que visa estimular a luta contra o câncer de mama.

Como forma de promover a conscientização sobre o tema, o mastologista e consultor de cirurgia oncológica da Fundação do Câncer, Carlos Frederico de Freitas Lima, concedeu uma entrevista sobre essa doença, considerada a forma mais comum entre as mulheres e o segundo tipo com maior incidência no mundo.

FC: O que é câncer de mama?
CFFL:
Consiste no desenvolvimento anormal das células da glândula mamária, que multiplicam-se repetidamente até formarem um tumor. O número de casos vem crescendo especialmente em países em desenvolvimento, onde a maioria ainda é diagnosticada em estágios avançados.

FC: Qual a incidência do câncer de mama?
CFFL:
É o segundo tipo mais frequente no mundo e o mais comum entre as mulheres, respondendo por 22% dos casos novos a cada ano. Se diagnosticado e tratado precocemente, o prognóstico é relativamente bom.

De acordo com as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), em 2014 deveremos ter mais de 57 mil novos casos. Em 2011, tivemos mais de 13 mil mortes devido à doença, sendo 120 em homens.

FC: Quais os fatores de risco?
CFFL:
Os principais fatores de risco estão ligados a hormônios, idade, fatores reprodutivos e hábitos de vida.  Também consideramos o consumo exagerado de alimentos gordurosos e de bebidas alcoólicas, além do sedentarismo. Já há evidências de que o tabagismo também aumenta as chances de desenvolvimento da doença.

FC: Quais são os principais sintomas?
CFFL:
A doença no início não apresenta sintomas ou sinais específicos, podendo sofrer variações ou, até mesmo, serem imperceptíveis. Recomendamos que a mulher conheça bem suas mamas e saiba identificar alterações para alertar o médico. O sintoma mais fácil de ser percebido é um caroço no seio, acompanhado ou não de dor. Outros são abaulamento, uma curvatura para fora de uma parte da mama, inchaço, espessamento ou retração da pele ou do mamilo, vermelhidão da pele ou com aspecto de casca de laranja, secreção pelos mamilos. Também podem aparecer pequenos caroços nas axilas e inchaço do braço.

Se a mulher tiver sinais ou sintomas como esses, deve procurar imediatamente o seu ginecologista ou mastologista.

FC: Como é feito o diagnóstico?
CFFL
: O câncer de mama, além de ser classificado em diversos tipos, com características e graus de gravidade diferentes, deve passar por uma avaliação para saber sua extensão. Este procedimento, chamado estadiamento, determina se a doença é localizada (precoce), localmente avançada (tumor grande e com gânglios comprometidos) ou metastática (espalhada para outros órgãos).

FC: A partir de que idade a mulher deve fazer esses exames regularmente?
CFFL:
Conforme a reunião de consenso internacional promovido pelo Inca há cerca de dois anos, a faixa etária onde atinge-se o maior benefício dos exames de rastreamento por mamografia é entre 50 e 69 anos de idade, com intervalo de dois anos, no máximo, entre os exames. Para rastreamento esporádico, ou seja, naqueles casos de exame dirigido a uma queixa específica, o exame clínico da mama e mamografia anual podem ser utilizados a partir dos 40 anos. No caso de mulheres pertencentes a grupos com risco elevado de desenvolver a doença, os exames devem ser iniciados cinco anos mais cedo.

FC: Quais são esses grupos com risco elevado?
CFFL:
Esses grupos são:
•    mulheres com histórico familiar de pelo menos um parente de primeiro grau (mãe, irmã ou filha) com diagnóstico de câncer de mama, abaixo dos 50 anos de idade;
•    mulheres com histórico familiar de pelo menos um parente de primeiro grau (mãe, irmã ou filha) com diagnóstico de câncer de mama bilateral ou câncer de ovário, em qualquer faixa etária;
•    mulheres com histórico familiar de câncer de mama masculino.

FC: Homens também podem desenvolver câncer de mama?
CFFL:
Sim, os homens também podem ter a doença, já que eles têm tecido mamário. A relação é de 100 para um, ou seja, a cada 100 mulheres diagnosticadas com câncer de mama, haverá um homem com a doença. Como é pouco divulgado, pois o alvo sempre foi a doença em mulheres, estudos mostram que a média de idade dos homens que apresentam a doença varia de 50 a 70 anos. Na maioria dos casos a detecção é feita em estágio avançado, dificultando o tratamento.

Como nos outros tipos, o câncer de mama é uma doença tempo-dependente. Portanto, é fundamental que seu diagnóstico seja feito o mais cedo possível, o que aumenta relativamente as chances de cura. É muito importante que as mulheres procurem o médico regularmente, para fazer o exame físico e a mamografia.