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INVESTIMENTOS EM ONCOLOGIA

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Casos de câncer aumentam, e hospitais financiam pesquisas contra a doença e inauguram novas unidades

O câncer é uma das principais causas de morte em todo o mundo. A cada ano, 8,2 milhões de pessoas morrem devido à doença. E esse número é crescente. No Brasil, enquanto foram registrados 189.454 óbitos por câncer em 2013, para o biênio 2018 e 2019, estimam-se 600 mil novas ocorrências a cada ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca). No mundo, mais de 32 milhões de pessoas vivem com a doença.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) o número de novos casos de câncer continuará aumentando apesar do enorme investimento no combate à doença. Para minimizar os dados alarmantes, centros de referência e hospitais de ponta no Brasil e no mundo se debruçam em pesquisar inovações em tratamentos e uso de tecnologias e medicamentos capazes de melhorar a condição de vida do paciente, a sobrevida e a cura. A abertura e a compra de novos centros hospitalares, de atendimento e assistência, e a utilização de robôs e aparelhos menos invasivos e com maior precisão têm sido o caminho percorrido. Além da intensificação no mapeamento genético, para identificação precoce de doenças, a imunoterapia aparece como o que há de mais eficiente para o tratamento de alguns tipos de tumor.

O AC Camargo, referência na área, investirá RS 42 milhões em pesquisa em 2018 e desde o ano passado reestruturou o modelo de Câncer Center, em que o tratamento do paciente é feito por uma equipe multidisciplinar. A nova unidade Pires da Mota, em São Paulo, será dedicada, na primeira fase, a pacientes com tumores de mama, ginecológicos e de pele e servirá de referência para a implantação do modelo, nos próximos anos, em diferentes grupos de tumores, como urológicos, gastrointestinais, de cabeça e pescoço, pulmão, sarcomas, onco-hematológicos, neurológicos, infantis e raros.

A previsão total de investimentos neste ano do hospital é de R$ 300 milhões. Nos três anos anteriores foram R$ 120 milhões. “O modelo de medicina integrada, adotado nos principais câncer centers do mundo, traz benefícios comprovados ao paciente, porque o câncer é um conjunto de doenças que precisa ser acompanhado por pesquisa, ensino e assistência ao mesmo tempo”, diz Vivien Rosso, presidente do AC Camargo. A doença exige muitas respostas, e o hospital possui mais de 54 especialidades para o tratamento. Outro elemento do câncer center é a integração do paciente e da família.

A implantação de um centro de imunoterapia, com 70 pessoas, representa um avanço estrutural para a instituição. Na parte tecnológica, o A.C Camargo está trazendo ao país o primeiro citômetro de fluxo digital de 50 parâmetros da América latina. “A tecnologia permite fazer grande sequenciamento genômico, com alta capacidade de processamento”, afirma Vivien. O mesmo recurso é utilizado no M.D. Anderson Câncer Center, no Texas, e no Centro de Imunotecnologia do National Institute of Health (NIH), o Ministério da Saúde americano, para descobrir novos aspectos do sistema imune em doenças infecciosas e câncer. O hospital forma ainda 70 profissionais na pós-graduação e 230 na residência oncológica por ano.

Em 2017, a Fundação do Câncer, no Rio de janeiro, inaugurou hospital próprio, com serviços que vão do diagnóstico ao tratamento da doença. Neste ano, está previsto o início das atividades com radioterapia por meio de dois aceleradores lineares para tratamentos em 4D, IMRT (de intensidade modulada) e VMAT (ar-coterapia volumétrica modulada), equipamentos de alta tecnologia. “Passamos um ano reformando o hospital que adquirimos para torná-lo em unidade de alta complexidade com CTI (Centro de Tratamento e Terapia Intensiva), centro cirúrgico, rádio e quimioterapia de alta complexidade. Foram investidos R$ 60 milhões na reforma e compra de equipamentos”, diz Luiz Augusto Maltoni, diretor-executivo da Fundação do Câncer.

 

Luiz Augusto Maltoni Jr., diretor executivo da Fundação do Câncer.

 

O hospital tem 80 leitos, com terapia intensiva, área ambulatorial, 14 consultórios e 12 boxes individuais para quimioterapia. Com potencial para fazer 4,5 mil internações, cinco mil cirurgias. 7,5 mil aplicações de quimioterapia, 80 mil consultas e 15 mil aplicações de rádio por ano, deve terminar 2018 com taxa de operação de 85%, prevê Maltoni. Nos seis meses em que operou em 2017, com equipe de 200 colaboradores, atendeu nove mil pessoas, realizou 1,8 mil cirurgias e duas mil internações. A meta é chegar ao fim deste ano com 450 profissionais.
Na área de educação, a Fundação do Câncer é responsável pelo desenvolvimento do Programa Nacional de Formação em Radioterapia, em parceria com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e com o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Assumiu ainda toda a gestão operacional do transplante de medula óssea do país e do Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), junto com o Inca e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) no programa de oncobiologia. “O Redome é o terceiro maior banco de medula óssea no mundo, com 4,5 milhões de doadores cadastrados”, diz Maltoni. Foram realizados 392 transplantes no Brasil em 2017.

Pesquisas globais indicam que mais de 70% dos diferentes tipos de câncer – que somam mais de 200 – não são genéticos, mas adquiridos ao longo da vida por meio de hábitos e costumes impróprios, como tabagismo, má alimentação (agrotóxicos, produtos processados e enlatados), bebida em excesso e sedentarismo. Esse quadro justifica o esforço feito na prevenção e no diagnóstico precoce da doença. É o que tem feito o Hospital de Amor (antigo Hospital de Câncer de Barretos), uma das maiores referências no tratamento oncológico do país. Na tentativa de descentralizar o atendimento de sua principal unidade, no interior de São Paulo, o hospital abriu centros de prevenção em oito Estados, com o apoio da iniciativa privada e da União.

“Contamos ainda com 18 carretas móveis, com ações de rastreamento organizado na periferia de municípios em busca de mulheres em fase de exames preventivos de colo de útero e de mama”, diz Henrique Prata, presidente da instituição. Barretos foi a primeira cidade do interior com centro estruturado de diagnóstico e base de tratamento oncológico. Hoje, o hospital possui outros nove prontos atendimento para intercorrências pequenas e médias de câncer, como hospital dia e ambulatório. E irá inaugurar novas bases de intervenção em câncer precoce em outras cidades e regiões remotas, como em Campo Grande e Nova Andradina, em Mato Grosso do Sul, além de uma em construção em Dourados.

Outros dois centros de diagnósticos móveis serão instalados em Ji-Paraná e em Porto Velho, em Rondônia. “Como deu certo, planejamos mais duas unidades móveis no Acre para julho e uma para agosto no Amapá”, diz Prata. Os investimentos nessas regiões estão em torno de R$ 50 milhões. “Se acrescido do centro cirúrgico e da UTI (Unidade de Terapia Intensiva), como a que inauguraremos em julho, em Porto Velho, investiremos mais 30 milhões.” Está prevista a construção de centro de atendimento em Palmas (TO), que deve consumir R$ 100 milhões. Essas ações, diz Prata, salvaram 422 mulheres em 2017 diagnosticadas com câncer de mama nas fases de 0 a 1 – em uma escala que vai até 4. “O custo do tratamento foi de R$ 150 mil. Se o mesmo tumor fosse identificado em fase mais adiantada, representaria gastos de R$ 63,3 milhões.”

Além de trabalhar com prevenção, o Hospital de Amor investe em equipamentos de ponta, como o aparelho de radioterapia TrueBlue, que resolve em três a quatro sessões o que antes tomava 30, e as cirurgias com o robô DaVinci, por meio do qual o cirurgião opera de forma minimamente invasiva.

Já o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), além de investir em robótica e outras tecnologias para melhorar o atendimento oncológico, aposta em pesquisa clínica, com 50 profissionais dedicados e 60 projetos em andamento. “0 Icesp é o que mais atende pacientes com câncer em São Paulo e concentra 10% dos casos que são tratados pelo SUS no país”, diz Paulo Hoff, diretor-geral do instituto e presidente da Rede D’Or São Luiz, que possui 40 clínicas c 37 hospitais e vive um período de intensas aquisições pelo país. A rede pretende inaugurar em março de 2019 um hospital premium, com 90 leitos, em São Paulo, sendo que metade será para oncologia. Só em novas tecnologias, o investimento será de R$ 100 milhões no período. Está construindo ainda um novo hospital cm Brasília com 140 leitos.

No Icesp, são 26 milhões de atendimentos oncológicos e cem mil pacientes nos dez anos de operação. Desses, quase 50 mil estão em acompanhamento. O instituto possui um dos maiores parques radioterápicos e laboratórios de pesquisas sobre câncer da América Latina. Por lá, circulam cerca de dez mil pessoas por dia. “Atingimos isso com um alto nível de humanização e qualidade, que chega a 90% de aprovação pela população usuária”, diz Hoff. O Icesp atualizou a radioterapia e recebeu dez aceleradores lineares para tratamentos menos invasivos que substituem algumas cirurgias. ‘No passado, o câncer no rim tinha de ser operado, bem como a metástase no fígado, que hoje podem ser tratados com radiofrequência”. explica Hoff. O Icesp mantém um centro de estudo para cirurgia robótica com protocolos que determinam em que situação ela é aplicável.

No Sírio-Libanês, um dos hospitais cinco estrelas mais disputados do país, a oncologia somou RS 702,2 milhões, ou 33% do faturamento do ano passado, de RS 2,1 bilhões. Tanto que o Sírio programou investir RS 305 milhões de 2016 até o fim deste ano na área, incluindo a recente aquisição do Hospital de Brasília. Com 77 artigos sobre câncer publicados em 2017, o Sírio mantém projetos transnacionais com o Instituto Humanitas da Universidade de Milão, Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer de San Diego, da Duke University, Memorial Sloan Keteering Câncer Center, de Nova York, e Cleveland Clinic, em Ohio, Estados Unidos.

Os ensaios clínicos multicêntricos acontecem em paralelo com vários centros espalhados pelo mundo. Apesar dos equipamentos de última geração que mantém no hospital, o presidente do Sírio, Paulo Chapchap, defende que o maior investimento que a instituição faz é em pessoas. “Em primeiro lugar está o desenvolvimento profissional. Depois, o de processos de alta qualidade. Em terceiro lugar, as tecnologias mais avançadas.” Segundo ele, o hospital mantém um centro integrado de tratamento com envolvimento de profissionais de diferentes áreas há muito tempo.

Com o selo de referência em serviços de alta complexidade, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, que possui 805 leitos, sendo mais de cem dedicados a pacientes com câncer, concluiu em 2015 o planejamento quinquenal com ênfase nas especialidades de oncologia e doenças digestivas. Tanto que no início de 2016 inaugurou um centro oncológico na unidade Paulista. “Foram investidos R$ 100 milhões no centro entre reforma e equipamentos, como o de radioterapia intraoperatória (Intrabeam), para tumores de mama em estágio inicial, e na cirurgia robótica oncológica, bem-sucedido em câncer de próstata”, diz Paulo Vasconcellos Bastian, CEO do Oswaldo Cruz. ‘Fizemos mais de 2 mil cirurgias robóticas desde o fim de 2018, e o câncer de próstata é uma das nossas especialidades. No centro de oncologia, o atendimento é integrado para paciente e família.”

 

Fonte: Revista Valor Econômico – Edição especial de Saúde – 18/06/2018