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Dia Internacional da Mulher: câncer de colo de útero e câncer de ovários

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Como continuidade de seu trabalho de conscientização sobre câncer feminino¹, em celebração ao Dia Internacional da Mulher, a Fundação do Câncer apresenta entrevista sobre os casos de câncer de colo do útero e de ovários feita com Carlos Frederico de Freitas Lima, mastologista e consultor oncológico da instituição.

FC: O que é o câncer de colo do útero?
CFFL: É uma doença de evolução lenta que acomete mulheres a partir de 25 anos. O principal agente da enfermidade é papilomavírus humano (HPV), que pode infectar também os homens e estar associado ao surgimento do câncer de pênis.

É o quarto tipo de câncer mais comum entre as mulheres e se configura como um importante problema de saúde pública. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que, em 2014, sejam notificados mais de 15 mil novos casos da doença. Em 2011, representou a quarta causa de morte por câncer em mulheres com mais de 5 mil óbitos.

FC: Qual o principal fator de risco?

CFFL: A infecção pelo HPV, responsável pelo aparecimento das verrugas genitais, representa o fator de maior risco para o surgimento da doença.  Apesar de existir mais de uma centena de subtipos diferentes desse vírus, somente alguns estão associados ao câncer de colo uterino. Além do HPV, também consideramos fatores de risco o início precoce da atividade sexual, múltiplos parceiros ou parceiros com vida sexual promíscua, baixa imunidade, más condições de higiene e tabagismo.

FC: Quais os sintomas?

CFFL: No início, é assintomático. Quando os sintomas aparecem, são sangramento vaginal especialmente depois das relações sexuais, no intervalo entre as menstruações ou depois da menopausa e corrimento de cor escura e com mau cheiro. Quando está em estágio avançado, pode haver uma massa palpável no colo do útero, hemorragias, obstrução das vias urinárias e intestinos, dores lombares e abdominais e perda de apetite e peso.

FC: Como é feito o diagnóstico?
CFFL: É essencial fazer a avaliação ginecológica e os exames de colposcopia, no qual são examinados os órgãos sexuais e o colo do útero, e Papanicolau, simples, rápido e barato, em que é retirada uma amostra microscópica de células coletadas do colo do útero, para detectar anormalidades. O material recolhido é enviado para biópsia.

Nos casos em que há sinais de malignidade, é preciso definir o tamanho do tumor, se está situado somente no colo uterino ou se disseminou por outros órgãos e tecidos. Alguns exames de imagem ajudam a definir.

FC: Qual o tratamento indicado para a doença?
CFFL: Deve-se retirar ou destruir as lesões, levando em conta  alguns fatores, como o estágio da doença, as condições físicas, a idade, o desejo de ter filho. O consenso é que a cirurgia deve ser indicada quando o tumor está confinado no colo do útero e de acordo com a extensão e profundidade das lesões, ela pode ser mais conservadora ou retirar totalmente o útero, o que chamamos de histerectomia.

A radioterapia e a quimioterapia também podem ser indicadas, de acordo com o caso.

FC: Existe prevenção para esse tipo de câncer?
CFFL: A prevenção está diretamente ligada ao esclarecimento e informações sobre a doença e os fatores de risco. As mulheres precisam ser orientadas a procurar periodicamente o ginecologista e fazer os exames necessários.

A vacinação das meninas contra o HPV pode ser uma medida preventiva bastante eficaz, apesar de não proteger contra todos os subtipos do vírus.

FC: E o câncer de ovário, como é?

CFFL: Ovários são duas glândulas responsáveis pela produção dos hormônios sexuais femininos, progesterona e estrogênio. É também onde são produzidos e armazenados os óvulos.

É o câncer ginecológico mais difícil de ser diagnosticado e o mais letal. O Inca estima mais de 5 mil casos em 2014. Em 2011, houve 3 mil mortes associadas à doença.

A incidência deste tipo de câncer está associada a fatores genéticos, hormonais e ambientais. O histórico familiar é o fator de risco isolado mais importante (cerca de 10% dos casos). Câncer de ovário pode acometer a mulher em qualquer idade, mas é mais frequente depois dos 40 anos.

Os genes BRCA1 e BRCA2, cuja mutação pode causar câncer de mama, estão relacionados ao câncer de ovário. Recentemente, ficou conhecido o caso da atriz Angelina Jolie, que fez dupla mastectomia, retirada das mamas, por ser portadora do gene.

Também existe uma relação entre esse tipo de câncer e atividade hormonal. As mulheres que não tiveram filhos, nunca amamentaram, que tiveram menopausa tardia ou câncer de mama, apresentam risco mais elevado de desenvolver câncer de ovário, assim como as que têm parentes de primeiro grau com câncer de ovário também.

FC: Quais são os sintomas?
CFFL: Na maioria das vezes, as mulheres não sentem nada até a doença estar entrar estágio avançado. Nesse caso, os sintomas são dor e aumento do volume abdominal, prisão de ventre, alteração na função digestiva e massa abdominal palpável.

FC: Como é feito o diagnóstico?
CFFL: Os exames fundamentais são a medição do marcador tumoral sanguíneo CA 125 e ultrassonografia pélvica. Também é feita a laparoscopia exploratória e a biópsia do tumor. Outros exames que podem ajudar no diagnóstico são raios-X torácico, tomografia computadorizada, avaliação da função renal e hepática e exames hematológicos.

FC: Como deve ser o tratamento?
CFFL: É necessária uma cirurgia para remoção do útero e dos ovários, e em estágios avançados, a remoção de todos os tumores visíveis, o que contribui para aumentar a taxa de sobrevivência.

Quando o tumor é de baixo grau e está no estágio inicial, é possível fazer quimioterapia depois de cirurgia.

Em ambos os casos, recomendamos que as mulheres procurem seus médicos periodicamente para fazer os exames rotineiros. O câncer, quando descoberto em estágio inicial, apresenta uma grande chance de cura.

 

¹Para acessar a primeira entrevista, sobre câncer de mama, na íntegra, clique aqui.