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Combate ao câncer: uma missão de todos

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IMG_337211O Dia Nacional de Combate ao Câncer, 27 de novembro, é uma oportunidade para lembrar que o enfrentamento da doença deve ser uma missão de toda a sociedade. Nesta entrevista, o epidemiologista Alfredo Scaff, consultor médico da Fundação do Câncer, explica o que cada um pode fazer para combater o câncer e faz um balanço sobre o desempenho das políticas brasileiras de controle oncológico. Este mês foi marcado ainda por outros movimentos importantes: o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil (23/11) e o Novembro Azul, que alerta para a importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata.

Quais são as responsabilidades individuais em relação ao câncer?
Existem muitas maneiras de reduzir o risco individual para câncer. A Organização Mundial da Saúde (OMS) lista algumas, como não fumar e morar em uma casa livre da fumaça do tabaco. Outra recomendação é limitar o tempo em que você fica sentado, movimentar-se para manter o peso corporal saudável. Ter uma alimentação equilibrada também ajuda a prevenir o câncer e outras doenças. É importante comer grãos integrais, vegetais e frutas, diminuir alimentos muito calóricos (com muito açúcar ou gordura) e evitar bebidas adocicadas. Carnes processadas, carne vermelha e alimentos salgados devem ser ingeridos com moderação. Se você consumir qualquer tipo de bebida alcoólica, limite o consumo. Não beber é melhor para prevenir câncer. Além disso, evitar exposição excessiva ao sol, usar filtro solar e consultar o seu médico de forma rotineira (não somente quando estiver doente).

Que exames de rastreamento devem ser feitos para diagnosticar o câncer precocemente?
As chances de cura são maiores quando a doença é diagnosticada em estágio inicial. Há dois tipos de câncer com rastreamento bem definido no Brasil: colo do útero e mama. No caso do colo do útero, o exame Papanicolau deve ser realizado por mulheres de 25 a 64 anos de idade, com vida sexual ativa, anualmente nos primeiros dois anos, e depois a cada três anos se os primeiros resultados tiverem sido negativos para a doença. Para detecção de câncer de mama, é indicada mamografia a cada dois anos para mulheres entre 50 e 69 anos. Existe ainda a possibilidade do rastreamento populacional para o câncer colorretal, que pode ser detectado precocemente a partir de pesquisa de sangue oculto nas fezes e colonoscopia (exame de imagem que analisa o interior do intestino). O teste de sangue oculto nas fezes deve ser feito anualmente a partir dos 50 anos de idade. Caso o resultado seja positivo, é recomendada a colonoscopia. Essa triagem ainda não é feita de rotina pelo SUS.

Esses exames são disponibilizados gratuitamente pelo SUS?
Os testes (exceto o de câncer colorretal) são feitos pelas unidades de atenção básica de saúde do município (SUS). Quem tem plano de saúde também deve procurar o seu médico particular ou uma unidade básica de saúde para fazer esse rastreamento.

E em relação ao câncer de próstata?
O câncer de próstata é o sexto tipo mais comum no mundo e o mais prevalente na população masculina. Homens a partir dos 50 anos devem procurar um médico para exames de rotina. O toque retal é o teste mais utilizado para verificar se existem alterações na próstata.  Outro exame rotineiramente solicitado é o PSA (que é uma proteína especifica da próstata). Quando esse exame tiver alteração, pode indicar a existência de diversas doenças da próstata, entre elas o câncer. Como o exame não é específico, ele deverá ser complementado por outros, para chegar a um diagnóstico definitivo. Por isso não é recomendado o rastreio populacional de câncer de próstata com o PSA (Inca/Ministério da Saúde).

Que cuidados devemos ter com as crianças?
O câncer é a principal causa de morte por doença na faixa etária de 5 a 19 anos no Brasil (a principal causa de mortes entre os jovens são as chamadas “Causas Externas”, ou seja, as mortes violentas). Pais e responsáveis devem ficar alertas a mudanças no corpo e no comportamento dos pequenos. Palidez, hematomas, sangramentos e dor óssea costumam ser uns dos sintomas mais frequentes de câncer infantil. Caroços ou inchaços (especialmente se forem indolores e sem febre ou outros sinais de infecção), perda de peso inexplicada, febre, tosse persistente, falta de ar e sudorese noturna são outros indícios. Também é comum a ocorrência de alterações oculares, tais como pupila branca, estrabismo de início recente, perda visual, hematomas ou inchaço ao redor dos olhos. Nem todos os sintomas ligados ao câncer infantojuvenil tratam-se da doença, mas um médico deve ser consultado. É importante vacinar os recém-nascidos contra Hepatite B e as meninas, contra o Papilloma vírus humano (HPV).

Como está o enfrentamento do câncer no Brasil?
Em primeiro lugar, temos que fazer ações de promoção e prevenção. O país como um todo conseguiu avançar nessa área com uma grande redução do consumo do tabagismo e a introdução universal da vacinação contra o HPV, que previne o câncer de colo de útero. A atenção básica e da saúde da família no SUS está sendo ampliada, com aumento das ações de triagem populacional e de diagnóstico precoce, principalmente no caso dos cânceres de mama e cervico-uterino. Os planos de saúde ainda precisam organizar suas carteiras de beneficiários para estas ações. É importante ressaltar que existe um importante “gargalo” no diagnóstico definitivo e no estadiamento do câncer. Esse problema leva ao atraso no diagnóstico. Com isso, os pacientes, quando tratados, estão em estágios mais avançados da doença, causando, assim, piores prognósticos.

O que mais ainda precisa ser feito?
Existe o diagnóstico de grave deficiência na oferta de tratamento radioterápico. O Ministério da Saúde, inclusive, fez importante iniciativa de aquisição de 80 máquinas de radioterapia, em processo de implantação. No entanto, é preciso aumentar a velocidade da implantação dessas máquinas. Elas precisam entrar em funcionamento o mais rápido possível. Outra urgência é a necessidade de fortalecimento das ações do Instituto Nacional de Câncer (Inca), como o protagonista das ações de planejamento e da política de prevenção e do controle do câncer no Brasil, junto ou como instrumento do Ministério da Saúde.