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Cientistas estudam fármaco para combater câncer cerebral

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Pesquisadores do Programa de Oncobiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) estudam um novo conjunto de fármacos que parece ser eficaz para enfrentar o câncer de cérebro. O grupo do professor Vivaldo Moura Neto, do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, quer se certificar de que o uso de duas drogas, a Temozolomida associada a uma Citolisina, seria capaz de destruir os gliomas, tumores malignos que surgem no sistema nervoso, naturalmente preservando as células sadias. Encontrar novas soluções de tratamento para combater o câncer é um dos principais desafios dos pesquisadores do Programa de Oncobiologia, financiado pela Fundação do Câncer desde 2005. Leia a entrevista com o professor Vivaldo Neto e entenda o estudo.

Qual é o objetivo desta pesquisa?
Nossa equipe estuda um grupo de células do sistema nervoso chamadas de células da glia. Elas são importantes, pois interagem com os neurônios no cérebro, ajudando-os a crescerem, se desenvolverem, estabelecerem contatos com outros neurônios e produzirem neurotransmissores. Procuramos entender como as células malignas da glia interagem com as demais células do cérebro, como se deslocam de uma região para outra deste órgão, criando novos focos de tumores. Queremos saber da presença de células-tronco no meio das células tumorais que talvez formem esses tumores. Procuramos também estudar o efeito de drogas medicamentosas capazes de eliminar células do tumor.

O que avançou em 2014 e a que conclusões vocês já chegaram?
Verificamos, com a equipe da professora Flavia Lima, que uma população de células do cérebro chamadas de microglia, que correspondem aos macrófagos (células de grandes dimensões que englobam e digerem elementos estranhos do corpo), penetra no tumor e surpreendentemente o ajuda a crescer em vez de destruí-lo. Pudemos ver também, em colaboração com a equipe da professora Veronica Morandi, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a má formação de vasos sanguíneos no interior do tumor. Embora mal formados, eles alimentam o tumor com sangue. Outro resultado muito interessante foi verificar que o uso de duas drogas, a Temozolomida associada a uma Citolisina, é capaz de destruir as células tumorais sem afetar as sadias. A Citolisina em questão, chamada Equinotoxina 2, é preparada por um colega da Eslovênia, Gregor Andereluh, que nos passa o fármaco para estudo.

Quais são os próximos passos?
Vamos continuar esse estudo usando as duas drogas para destruir o tumor e precisamos confirmar os resultados. Vamos nos dedicar a estudar as células-tronco que estão no tumor, se podemos destruí-las, e, com isso, eliminá-lo. Buscaremos moléculas nas células tumorais que possam servir de novos marcadores para ajudar a diagnosticar melhor cada tipo de tumor glial.

Quando começaram os estudos?
Estudamos as células da glia sadia há muitos anos, mas o estudo dos tumores gliais é mais recente. Investigamos estes tumores humanos há pouco menos de dez anos, vendo sua interação com as demais células do cérebro, testando drogas contra o crescimento do tumor e isolando células-tronco.

Como estas pesquisas poderão contribuir com o controle da doença?
O câncer do tipo glioma é difícil de vencer, sobretudo o glioblastoma, o mais terrível destes tumores. Nossa preocupação é conseguir buscar meios de enfrentar o câncer no cérebro utilizando drogas que possam ser injetadas no paciente para atacar o tumor, preservando as células sadias.  Vale a pena trabalhar nesta linha de pesquisa porque o glioblastoma é fatal e faz parte dos mais frequentes tumores do cérebro. Como existem tipos diferentes de gliomas, um dos braços de nossa pesquisa visa a identificar novos marcadores que possam auxiliar na diferenciação desses tipos tumorais, levando a um diagnóstico mais preciso e confiável.


O professor Vivaldo Moura Neto com as pesquisadoras Juliana Coelho-Aguiar (à esquerda),
Tania Spohr e Isabel Porto Carrero. Embora não esteja na foto, o Dr. Luiz Gustavo Feijó Dubois
também faz parte da equipe e recebeu a bolsa de pesquisa de pós-doutorado da Fundação