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Amazonas passa a integrar a Rede BrasilCord para transplante de medula óssea

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A partir desta terça-feira (19/12), o Amazonas passa integrar a Rede BrasilCord, formada atualmente por 14 Centros de Processamento Celular (CPCs), distribuídos pelo Brasil. A unidade vai funcionar na Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (FHemoam), em Manaus, e permitirá a seleção e preparo de materiais para a realização de transplantes de medula óssea na região. Uma iniciativa do Ministério da Saúde, em parceria com o governo do Amazonas, gestão da Fundação do Câncer, supervisão técnica do Instituto Nacional de Câncer (Inca) e financiamento total do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES).

A solenidade de inauguração será às 9h, na sede da FHemoam, com a presença do secretário estadual de Saúde, Francisco Deodato; do presidente da Fundação Hemoam, Nelson Fraiji; do coordenador da Rede BrasilCord, Luis Fernando Bouzas; do diretor-executivo, Luiz Augusto Maltoni e o gerente de projetos da Fundação do Câncer, Marson Rebuzzi.

O CPC de Manaus será a 15ª unidade do país e servirá como base para que seja desenvolvido o Centro de Transplantes de Medula Óssea na região. Desta forma, os pacientes não vão precisar viajar longas distâncias para o procedimento e aumentam as chances de localizar material compatível para doação no Brasil e no exterior.  

De acordo com o secretário Francisco Deodato, o investimento foi de R$ 7 milhões e contempla, ainda, a aquisição de equipamentos e capacitação de pessoal. ”A abertura de mais um Centro aumenta as chances de quem aguarda na fila por transplante de medula, de encontrar um doador compatível. Além disso, temos o conhecimento de que mais de 80 doenças podem ser tratadas por meio do transplante de células-tronco presentes no cordão umbilical de recém-nascidos. Portanto, isto é uma revolução e o Amazonas, neste momento, está credenciado para integrar esta importante rede”, observa.

Segundo a gerente do Departamento do Complexo Industrial e de Serviços de Saúde (DECISS) do BNDES, Marcia Garcez, este é um projeto muito valorizado pela instituição, com bons resultados junto à Rede BrasilCord “A colaboração do BNDES começou em 2006. Desde então, já foram celebrados três contratos. O terceiro é referente à etapa atual, com a inauguração dos CPCs do Maranhão, Manaus e Campo Grande. É prioridade do Banco, por meio do Departamento, apoiar serviços voltados à saúde, que melhorem o atendimento da população e promovam redução de custos para o Ministério da Saúde”, disse.

O coordenador da Rede BrasilCord, Luis Fernando Bouzas, acredita que o novo Centro é uma forma de aumentar a representatividade genética da população brasileira. “O CPC, além de armazenar amostras doadas de sangue de cordão umbilical, é um laboratório de processamento de células-tronco capaz de suportar atividades de transplante naquela região. Tudo isso é um incentivo para o desenvolvimento e construção de centros de transplantes no Norte e Nordeste. A partir de agora, a base está lançada”, reforça.

As chances de um brasileiro localizar um doador em território nacional é 30 vezes maior que a de encontrar o mesmo doador no exterior, conforme pesquisa realizada em 2012, pelo Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). De acordo com o Inca, até setembro de 2017, foram preservadas 23.850 unidades de cordão umbilical nos bancos públicos do País e 186 unidades utilizadas em transplantes.

Avanço tecnológico – O prédio do CPC, em Manaus, ocupa uma área de 152 m2, infraestrutura construída na sede do Hemoam (próximo ao bloco A), na Avenida Constantino Nery, bairro da Chapada, zona centro sul.

O novo Centro abrirá uma perspectiva sem precedentes na região para tratamento de diversas doenças hematológicas, como leucemias, linfomas, aplasias de medula, e até algumas anemias hereditárias, e será também um novo eixo de treinamento médico, de pesquisa e terapia celular. “A sociedade ganha muito com esta inauguração. Equipamentos e tecnologia de última geração e uma equipe altamente qualificada que recebeu treinamento no Inca, no Rio de Janeiro. Estamos muito orgulhosos em poder entregar à população mais essa joia rara, que salvará muitas vidas”, conta Marson Rebuzzi, gerente de projetos da Fundação do Câncer.

O diretor-presidente da Fundação Hemoam, Nelson Fraiji, reforça que a unidade é um passo importante no processo de realização de transplante, que se concluirá com a inauguração do Hospital do Sangue. O hospital está em obra, em área ao lado do prédio da Fundação Hemoam. “O banco representa um avanço tecnológico, que coloca a instituição muito próxima de integrar a rede de instituições que realizam transplante no Brasil e no mundo. É mais um passo que estamos dando no caminho do transplante”, frisou.

Além de pessoal treinado, Nelson Fraiji observa que o Banco de Células possui equipamentos de elevada sofisticação e tecnologia. Estamos entregando um laboratório de alta tecnologia, que vai coletar a célula do cordão umbilical e da placenta nas maternidades, retirar o sangue com potencial para reproduzir a medula óssea, resfriar esse material em nitrogênio e disponibilizar as características desse material em um banco de dados para transplante em pessoas compatíveis”, explica.

 A base de dados terá capacidade para congelar 3,5 mil amostras de células-tronco do sangue do cordão umbilical e da placenta. O material será coletado de maternidades públicas de Manaus, com autorização das mães, e vai ficar disponível, ajudando quem aguarda na fila por um doador compatível não aparentado. A FHemoam firmou parceria com o Instituto Dona Lindu e está fechando também com as demais maternidades do Estado.