30/06/2010 | Fundação do Câncer
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| Da esquerda para direita: Mariana Chantre, Álvaro Leitão, Antônio Ornellas, Gilda Brown e Claudia Lage |
Na luta contra qualquer tipo de câncer, as duas ações mais importantes são o diagnóstico precoce e a agilidade no início do tratamento. Por isso, uma pesquisa desenvolvida pelo Programa de Oncobiologia da UFRJ e apoiada pela Fundação do Câncer pretende melhorar o diagnóstico do câncer de bexiga. De acordo com o coordenador do estudo, Álvaro Leitão, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, apesar de não ser uma das neoplasias mais incidentes no país, com 3 mil mortes oficialmente registradas em 2009, trata-se de um tumor com alto grau de agressividade e disseminação pelo organismo e cujos sintomas se manifestam desde o início da doença.
Segundo o pesquisador, as células malignas podem aparecer em diferentes tipos de estrutura que formam a bexiga. Ao identificar qual delas está sendo afetada, é possível fazer uma análise mais profunda das características do tumor e, consequentemente, ajudar o médico a escolher o tratamento mais adequado. Em síntese, a hipótese do estudo é que as alterações genéticas podem apontar para a gravidade do tumor maligno.
“A instabilidade genética está por trás de praticamente todos os tipos de câncer. Pretendemos mapear quais fatores podem causar menor ou maior instabilidade, analisando amostras de tumores de pacientes. Ao final deste estudo, veremos quais são os marcadores presentes nos tumores mais agressivos”, explica Álvaro Leitão. Ele lembra ainda que a bexiga armazena, além de urina, produtos ingeridos e inalados – como o cigarro, por exemplo – causadores do câncer.
O câncer de bexiga produz sintomas prematuramente, como sangue ou dor ao urinar, o que facilita o diagnóstico por meio de exames. No entanto, o laudo baseado na biópsia do tumor na bexiga ainda é o mais relevante dado que o médico tem para identificar a estrutura do órgão que foi afetada, e então definir a intervenção. Ao conhecer os marcadores que levam à instabilidade genética do paciente, o médico pode realizar um tratamento personalizado e ter uma ideia mais completa da agressividade do tumor, se já houve a sua dispersão ou se ele realmente está restrito a uma estrutura específica, evitando intervenções cirúrgicas desnecessárias ou até mesmo incapacitantes.
“Como resultado prático, poderemos auxiliar o médico na sua decisão quanto ao tratamento dos pacientes. Mesmo que o tumor esteja pequeno e pouco desenvolvido no início, se as análises revelarem se tratar de um tumor agressivo, o médico tomará a decisão mais acertada”, conclui Álvaro.
Além da Fundação do Câncer, a pesquisa – realizada por uma equipe que tem mais cinco pessoas, além de Álvaro – conta com o apoio do CNPq, CAPES e FAPERJ.

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